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B3 aciona circuit breaker e amplia limites de WIN e WDO após eleição

A B3 acionou o circuit breaker em 26 de outubro de 2026, primeiro pregão após a reeleição de Lula, algo que não ocorria desde março de 2020. No mesmo dia, a bolsa ampliou duas vezes os limites de oscilação dos futuros de Ibovespa e de dólar, o que alterou as condições de operação de quem negocia WIN, IND, WDO e DOL.

A redação da Tradoshi, sob a direção de Benjamin Roure L'HermittePublicado em ·Atualizado em
Ilustração: alavanca de disjuntor abaixada diante de telas com gráficos em forte queda, relógio sem números, urna eleitoral vazia e contorno do mapa do Brasil.

Primeiro circuit breaker desde março de 2020

Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, às 9h57 no horário de Brasília (13h57 em Paris), a B3 acionou o circuit breaker no mercado à vista, segundo Gazeta Mercantil e Diário do Nordeste. O gatilho foi a queda de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior. No mesmo dia, segundo aviso publicado pela própria B3, os limites de oscilação dos contratos futuros de Ibovespa, de dólar, de taxa DI1 e de ETFs foram ampliados exclusivamente para o pregão regular daquela data.

A interrupção durou 30 minutos e atingiu ações à vista, títulos de dívida privada, opções sobre ações, BDRs e ETFs, de acordo com Suno Notícias, Tribuna do Norte e InfoMoney. Durante a pausa, as ordens que não participavam do leilão podiam ser canceladas. O acionamento ocorreu durante o procedimento de abertura do mercado à vista, segundo Gazeta Mercantil e Diário do Nordeste. A negociação foi retomada por volta de 10h35 a 10h38: Livecoins fala em "após as 10h35", enquanto InfoMoney cita 10h38.

A B3 não recorria ao mecanismo desde março de 2020, em plena pandemia de Covid-19. Seu Dinheiro data o episódio anterior de 18 de março de 2020. O pregão foi o primeiro depois do segundo turno de domingo, 25 de outubro de 2026, em que Lula foi reeleito contra Flávio Bolsonaro, que havia terminado o primeiro turno na liderança. O resultado surpreendeu o mercado, segundo Suno, Seu Dinheiro e Money Times.

Limites dos futuros ampliados em duas etapas

A ampliação das bandas de oscilação ocorreu em dois momentos. Antes da abertura, segundo InfoMoney, TradeMap, CNN Brasil e Monitor Mercantil, a B3 já havia levado o limite de baixa do contrato futuro de Ibovespa (IND) e do minicontrato (WIN) de -10% para -15%, e o limite de alta do dólar futuro (DOL) e do minidólar (WDO) de 6% para 8,4%. Um segundo aviso elevou novamente esses patamares.

Segundo esse aviso da B3, datado de 26 de outubro de 2026 e válido apenas para o pregão regular daquele dia:

  • o limite inferior de oscilação diária do IND passa de -15% para -20%, em todos os vencimentos;
  • a mesma mudança se aplica ao WIN, em todos os vencimentos;
  • o limite superior do DOL e do WDO passa de 8,4% para 12%, em todos os vencimentos;
  • os limites superiores dos futuros de taxa DI1 sobem vencimento a vencimento, de 40 para 58 no primeiro e de 189 para 270 nos mais longos, sem que a tabela da B3 especifique a unidade;
  • o limite superior dos futuros sobre os ETFs BOVA11 e BOVV11 passa de 9% para 15%.

O aviso da B3 não informa o horário de entrada em vigor da segunda ampliação. Os veículos que noticiaram a medida a situam entre 9h13 e 9h30 em Brasília.

Uma pausa, não um piso

Pelas regras do circuit breaker relembradas pela B3 e reproduzidas por Suno, Tribuna do Norte e InfoMoney, uma queda de 10% do Ibovespa provoca pausa de 30 minutos. Se a baixa chegar a 15% depois da retomada, a interrupção passa a ser de uma hora. A 20%, a B3 pode suspender os negócios por um prazo que ela mesma define e comunica ao mercado. O mecanismo não é acionado nos últimos 30 minutos do pregão, e uma pausa ocorrida na última hora pode estender a sessão em até 30 minutos.

Na prática, a queda prosseguiu depois da reabertura. O Ibovespa chegou a perder mais de 17% na mínima do dia, e Livecoins registra 169.957 pontos (-17,13%) às 11h30. Não houve segunda interrupção, embora o índice tenha ultrapassado a marca de -15%. Consultada pelo InfoMoney, a B3 indicou que uma nova pausa seria acionada a -20% em relação ao fechamento da véspera. O Ibovespa encerrou a sessão em baixa de 13,88%, segundo InfoMoney e Metrópoles. No câmbio, o dólar chegou a R$ 5,60 na máxima do dia, de acordo com Livecoins e Click Petróleo e Gás.

O que muda para os traders

Para quem opera WIN, IND, WDO, DOL ou DI1 na B3, o pregão de 26 de outubro teve parâmetros fora do habitual: o WIN podia recuar até 20% e o WDO subir até 12% antes de atingir o limite da sessão. Como o aviso da B3 restringe essas bandas ao pregão regular daquele dia, os limites das sessões seguintes dependeriam de novos avisos da bolsa, que os operadores de contratos futuros teriam interesse em acompanhar.

A lista de mercados suspensos pelo circuit breaker, tal como divulgada pela imprensa, não inclui os futuros, que seguiriam enquadrados por suas próprias bandas de oscilação. O episódio também mostra que a pausa não funciona como piso: o índice voltou a cair após a retomada. Como as ordens fora do leilão podiam ser canceladas durante a interrupção, clientes com ordens pendentes teriam interesse em conferir sua situação na reabertura.

As regras de risco das corretoras pesam tanto quanto as da bolsa. Segundo a política publicada pela Inter DTVM em seu site, as margens reduzidas de day trade vão de R$ 155 a R$ 200 por WIN e de R$ 140 a R$ 300 por WDO. Pelo mesmo documento, quando o IND ou o WIN varia mais de 8%, ou o DOL ou o WDO mais de 5%, a margem passa ao nível padrão da B3. Se as garantias forem insuficientes, ou se a posição não for encerrada até 18h15, a equipe de risco faz a zeragem compulsória. A Inter DTVM informa ainda que pode alterar suas margens a qualquer momento.

Numa sessão com oscilações dessa amplitude, a margem reduzida poderia deixar de valer, o que diminuiria o número de contratos acessíveis com o mesmo capital e aumentaria o risco de zeragem por falta de garantias. Cada corretora define seus próprios parâmetros, e os clientes teriam interesse em verificar os avisos publicados no home broker ou na plataforma sobre margens, horários e custos de zeragem, além de revisar seu gerenciamento de risco no day trade.

Pontos ainda em aberto

Alguns dados do dia variam conforme o veículo. O horário do circuit breaker é de 9h57 para Gazeta Mercantil e Diário do Nordeste, e de 10h04 ou 10h05 para o InfoMoney, que pode estar se referindo ao momento da comunicação da B3. A contagem de acionamentos desde 1997 também diverge: seria o 23º segundo Livecoins e o 24º segundo Tribuna do Norte.

A B3 não informou ao InfoMoney se o gatilho de -20% para uma nova pausa vale além de 26 de outubro. Da mesma forma, o aviso sobre os limites dos futuros reserva as novas bandas ao pregão daquele dia, sem mencionar prorrogação.

Fontes

  1. B3 informa novos limites de oscilação para contratos futuros, B3
  2. Mercado Futuro Inter: horários e margem, Banco Inter / Inter DTVM
  3. Circuit breaker e maior baixa desde 2020: Ibovespa cai quase 14% após vitória de Lula, InfoMoney
  4. Circuit breaker: por que a Bolsa não teve nova interrupção após cair mais de 15%?, InfoMoney
  5. Circuit Breaker: por que Bolsa suspendeu negociações por queda após eleição de Lula?, InfoMoney
  6. Ibovespa cai 10% e B3 aciona circuit breaker após reeleição de Lula, Suno Notícias
  7. Bolsa brasileira aciona circuit breaker após queda de 10% do Ibovespa com reeleição de Lula, Tribuna do Norte
  8. 'Circuit breaker': o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula, Seu Dinheiro
  9. Limite de queda do Ibovespa futuro passa para 20% na B3 após eleições, CNN Brasil
  10. B3 amplia limites de oscilação de contratos futuros e ETFs para o pregão desta segunda, TradeMap
  11. B3 altera limites de oscilação dos contratos futuros de Ibovespa, Monitor Mercantil
  12. B3 altera limites de negociação para futuros de dólar e Ibovespa em temor a circuit breaker, Money Times
  13. B3 (B3SA3) aciona circuit breaker e amplia limites de dólar e Ibovespa futuros, Gazeta Mercantil
  14. Circuit breaker para a Bolsa pela primeira vez desde 2020: o que é e o que muda para o investidor, Diário do Nordeste
  15. Bolsa tem um dos piores resultados da história e fecha com queda de 13,88%, Metrópoles
  16. Após vitória de Lula, Bolsa aciona circuit breaker pela primeira vez em seis anos, Click Petróleo e Gás
  17. Bolsa Brasileira desaba após reeleição de Lula e entra em 'circuit break', Livecoins

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