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CVM recebe 11 propostas para piloto de tokenização em blockchain

O Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM recebeu 11 propostas de pilotos para testar ações, debêntures e cotas de fundos tokenizados. Associações do setor e empresas como a B3 disputam um espaço em um teste de 60 dias, conduzido com ativos fictícios.

A redação da Tradoshi, sob a direção de Benjamin Roure L'HermittePublicado em ·Atualizado em
Ilustração: onze envelopes lacrados ao lado de uma corrente de blocos transparentes com certificados, mapa do Brasil ao fundo e relógio sem números.

O Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou em 6 de novembro de 2026 ter recebido 11 propostas de pilotos para testar operações com ativos tokenizados em blockchain e em outras tecnologias de registro distribuído (DLT), segundo a Exame e o BitNotícias. As propostas foram apresentadas por associações do setor financeiro e de criptoativos e por empresas de infraestrutura de mercado, entre elas a B3, no âmbito do programa piloto criado pela Resolução CVM 249. O horário exato do anúncio não foi informado.

Cinco associações e sete empresas entre os proponentes

De acordo com os dois veículos, as propostas vêm de cinco associações: ABBC, ABcripto, ABFintechs, ABToken e Anbima. Do lado das empresas aparecem a B3, a BEE4 e a Núclea, que apresentaram uma proposta conjunta, a CSD, a Liqi e, também em conjunto, a Real Price e o Registro de Imóveis do Brasil.

A ABToken é a única entidade com duas das 11 propostas. Uma delas se baseia em uma arquitetura multirrede, conhecida como multichain. A contagem total inclui, portanto, propostas conjuntas e mais de uma proposta por proponente. O detalhamento de cada proposta, uma a uma, não foi publicado em documento oficial, e os critérios e o prazo para a validação dos projetos não foram precisados.

Um teste de 60 dias com ativos fictícios

O programa piloto foi criado pela Resolução CVM 249, apresentada na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, segundo a BP Money e a InvestNews. O próprio GTT havia sido instituído antes, pela Portaria CVM/PTE nº 177, publicada em 17 de julho de 2026, de acordo com a Money Times e a LetsMoney.

Os testes têm duração de 60 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. O ambiente utiliza ativos e fundos fictícios, sem a participação de investidores reais. O escopo, segundo a Money Times, a Blocknews e a InvestNews, cobre toda a cadeia de um valor mobiliário:

  • Emissão, oferta e distribuição de ações, debêntures, certificados de recebíveis e cotas de fundos;
  • Negociação desses instrumentos em redes de teste;
  • Escrituração, custódia e depósito centralizado;
  • Liquidação das operações.

As redes de teste são propostas e administradas pelas associações representativas de entidades reguladas pela CVM e pelos autorreguladores que integram o GTT. A autarquia, por sua vez, poderá acompanhar as operações dessas redes em tempo real.

O calendário segue indefinido. A InvestNews informa que a contagem dos 60 dias começa no primeiro dia útil após o encerramento do prazo de envio das propostas, mas a data em que os testes começarão de fato não foi comunicada.

B3 e Anbima no segundo encontro do GTT

O anúncio coincidiu com o 2º Encontro do GTT com o mercado, realizado em 6 de novembro de 2026, das 8h30 às 13h, com transmissão pelo YouTube, segundo a programação divulgada pela Anbima. Um painel da B3 reuniu Eduardo Alexandre Marques Silva, Carlos Alberto Spina Junior e Raphael de Almeida Torlay. A Anbima apresentou sua Rede de Tokenização, com representantes da BBChain, do Itaú, na pessoa de Eric Altafim, e do IPMF, de acordo com a Livecoins e a SpaceMoney.

Segundo o BitNotícias, a B3 apresentou no evento um projeto experimental de negociação de ações tokenizadas 24 horas por dia, com liquidação quase instantânea. A informação foi divulgada apenas por esse veículo, e a lista de propostas recebidas pela CVM não indica se o projeto enviado pela B3 ao piloto corresponde a essa versão.

O que muda para os traders

No curto prazo, nada muda para quem negocia na B3. O piloto ocorre com ativos fictícios e sem investidores reais, de modo que as cotações e as operações do mercado à vista não são afetadas durante o período de teste.

O interesse do programa está no que ele pode antecipar. Os instrumentos testados, ou seja, ações, debêntures, certificados de recebíveis e cotas de fundos, estão entre os mais usados pelos investidores brasileiros. Caso um modelo de negociação contínua com liquidação quase imediata, como o descrito pelo BitNotícias, venha um dia a ser adotado, a rotina dos traders poderia mudar em vários pontos: a exposição a notícias durante a noite e nos fins de semana, a disponibilidade do saldo após cada operação e a forma de calcular margens. Isso exigiria rever a gestão de risco de posições mantidas fora do pregão tradicional. Por enquanto, trata-se apenas de um projeto apresentado em um evento, sem confirmação de que integre o piloto.

Para os participantes do mercado, os próximos marcos a acompanhar seriam a divulgação das propostas efetivamente aceitas pelo GTT, a data real de início dos 60 dias de teste e qualquer comunicação da B3 sobre produtos e prazos ligados à tokenização de ações. Até lá, os clientes de corretoras brasileiras não teriam nenhuma alteração de horário, de liquidação ou de regras a verificar em suas plataformas por causa do piloto.

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Este artigo é publicado para fins informativos. Não constitui recomendação de investimento nem indicação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. Método de verificação e política de correções: A redação.

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