CVM recebe 11 propostas para piloto de tokenização em blockchain
O Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM recebeu 11 propostas de pilotos para testar ações, debêntures e cotas de fundos tokenizados. Associações do setor e empresas como a B3 disputam um espaço em um teste de 60 dias, conduzido com ativos fictícios.

O Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou em 6 de novembro de 2026 ter recebido 11 propostas de pilotos para testar operações com ativos tokenizados em blockchain e em outras tecnologias de registro distribuído (DLT), segundo a Exame e o BitNotícias. As propostas foram apresentadas por associações do setor financeiro e de criptoativos e por empresas de infraestrutura de mercado, entre elas a B3, no âmbito do programa piloto criado pela Resolução CVM 249. O horário exato do anúncio não foi informado.
Cinco associações e sete empresas entre os proponentes
De acordo com os dois veículos, as propostas vêm de cinco associações: ABBC, ABcripto, ABFintechs, ABToken e Anbima. Do lado das empresas aparecem a B3, a BEE4 e a Núclea, que apresentaram uma proposta conjunta, a CSD, a Liqi e, também em conjunto, a Real Price e o Registro de Imóveis do Brasil.
A ABToken é a única entidade com duas das 11 propostas. Uma delas se baseia em uma arquitetura multirrede, conhecida como multichain. A contagem total inclui, portanto, propostas conjuntas e mais de uma proposta por proponente. O detalhamento de cada proposta, uma a uma, não foi publicado em documento oficial, e os critérios e o prazo para a validação dos projetos não foram precisados.
Um teste de 60 dias com ativos fictícios
O programa piloto foi criado pela Resolução CVM 249, apresentada na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, segundo a BP Money e a InvestNews. O próprio GTT havia sido instituído antes, pela Portaria CVM/PTE nº 177, publicada em 17 de julho de 2026, de acordo com a Money Times e a LetsMoney.
Os testes têm duração de 60 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. O ambiente utiliza ativos e fundos fictícios, sem a participação de investidores reais. O escopo, segundo a Money Times, a Blocknews e a InvestNews, cobre toda a cadeia de um valor mobiliário:
- Emissão, oferta e distribuição de ações, debêntures, certificados de recebíveis e cotas de fundos;
- Negociação desses instrumentos em redes de teste;
- Escrituração, custódia e depósito centralizado;
- Liquidação das operações.
As redes de teste são propostas e administradas pelas associações representativas de entidades reguladas pela CVM e pelos autorreguladores que integram o GTT. A autarquia, por sua vez, poderá acompanhar as operações dessas redes em tempo real.
O calendário segue indefinido. A InvestNews informa que a contagem dos 60 dias começa no primeiro dia útil após o encerramento do prazo de envio das propostas, mas a data em que os testes começarão de fato não foi comunicada.
B3 e Anbima no segundo encontro do GTT
O anúncio coincidiu com o 2º Encontro do GTT com o mercado, realizado em 6 de novembro de 2026, das 8h30 às 13h, com transmissão pelo YouTube, segundo a programação divulgada pela Anbima. Um painel da B3 reuniu Eduardo Alexandre Marques Silva, Carlos Alberto Spina Junior e Raphael de Almeida Torlay. A Anbima apresentou sua Rede de Tokenização, com representantes da BBChain, do Itaú, na pessoa de Eric Altafim, e do IPMF, de acordo com a Livecoins e a SpaceMoney.
Segundo o BitNotícias, a B3 apresentou no evento um projeto experimental de negociação de ações tokenizadas 24 horas por dia, com liquidação quase instantânea. A informação foi divulgada apenas por esse veículo, e a lista de propostas recebidas pela CVM não indica se o projeto enviado pela B3 ao piloto corresponde a essa versão.
O que muda para os traders
No curto prazo, nada muda para quem negocia na B3. O piloto ocorre com ativos fictícios e sem investidores reais, de modo que as cotações e as operações do mercado à vista não são afetadas durante o período de teste.
O interesse do programa está no que ele pode antecipar. Os instrumentos testados, ou seja, ações, debêntures, certificados de recebíveis e cotas de fundos, estão entre os mais usados pelos investidores brasileiros. Caso um modelo de negociação contínua com liquidação quase imediata, como o descrito pelo BitNotícias, venha um dia a ser adotado, a rotina dos traders poderia mudar em vários pontos: a exposição a notícias durante a noite e nos fins de semana, a disponibilidade do saldo após cada operação e a forma de calcular margens. Isso exigiria rever a gestão de risco de posições mantidas fora do pregão tradicional. Por enquanto, trata-se apenas de um projeto apresentado em um evento, sem confirmação de que integre o piloto.
Para os participantes do mercado, os próximos marcos a acompanhar seriam a divulgação das propostas efetivamente aceitas pelo GTT, a data real de início dos 60 dias de teste e qualquer comunicação da B3 sobre produtos e prazos ligados à tokenização de ações. Até lá, os clientes de corretoras brasileiras não teriam nenhuma alteração de horário, de liquidação ou de regras a verificar em suas plataformas por causa do piloto.
Fontes
- Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM recebe 11 propostas para testes, Exame (Future of Money)
- CVM recebe 11 projetos para testar títulos em blockchain, BitNotícias
- B3 apresenta projeto para negociar ações 24 horas por dia com liquidação instantânea em blockchain, BitNotícias
- CVM cria programa piloto para testar ações e debêntures tokenizadas em blockchain, BP Money
- CVM testa tokenização de ações, debêntures e fundos. Entenda a iniciativa, InvestNews
- CVM finaliza proposta de piloto para testar tokenização no mercado de capitais, Money Times
- Grupo de tokenização finaliza regras para piloto da CVM, Blocknews
- CVM revela os 23 membros externos do grupo de tokenização, LetsMoney
- Participe ao vivo: 2º Encontro do GT de Tokenização da CVM, Anbima
- Evento da CVM reúne Ripple, Stellar, Solana e B3 para debater tokenização no Brasil, Livecoins
- CVM debate tokenização com B3, Ripple, Stellar e Solana, SpaceMoney
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