Binance reabre saques em etapas após roubo de US$ 6,3 bilhões
A Binance reabriu em 1º de novembro de 2026 os saques em quinze redes, três dias depois do roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões que o FBI atribui à Coreia do Norte. A exchange informa US$ 3,64 bilhões em saídas líquidas, enquanto as demais redes seguem sem cronograma de reabertura.

Em 1º de novembro de 2026, às 6h UTC, a Binance começou a reabrir em etapas os saques de criptoativos em sua plataforma. Eles estavam suspensos desde o ataque hacker de quinta-feira, 29 de outubro de 2026, quando cerca de US$ 6,3 bilhões foram desviados das carteiras quentes (hot wallets) da exchange, o maior roubo de criptomoedas já registrado segundo CoinDesk, Help Net Security e crypto.news. No “Recovery Update #4”, publicado no mesmo dia, a Binance anunciou a retomada da primeira fase de saques entre 6h e 9h UTC.
Quinze redes na primeira fase
Segundo o anúncio da Binance, a fase 1 inclui os seguintes pares de rede e ativo:
- rede BTC: BTC;
- rede ETH: ETH, USDT, USDC;
- BSC: BNB, USDT, USDC;
- rede TRX: TRX, USDT;
- rede SOL: SOL, USDT, USDC;
- redes XRP, ZEC, DOGE e SUI: o ativo nativo de cada uma;
- TON: USDT, GRAM;
- Polygon: POL, USDT, USDC;
- AVAX C-Chain: AVAX, USDT, USDC;
- Arbitrum: ETH, USDT, USDC, ARB;
- Base: ETH, USDC;
- Optimism: ETH, USDT, USDC.
A exchange explica que a ordem de reabertura segue a demanda de saques dos usuários na semana anterior e que cada par de rede e ativo só volta a funcionar após verificações de segurança e estabilidade. A rede Bitcoin foi a primeira a ser liberada, segundo mensagem da Binance no X repercutida por Cointelegraph, CNBC e crypto.news. De acordo com CNBC, The Block e CoinDesk, as quinze redes da fase 1 estavam todas disponíveis às 12h36 UTC. As demais redes e ativos serão adicionados “assim que estiverem prontos”, diz a Binance, sem cronograma. Os depósitos continuaram abertos e não foram afetados pelo incidente, segundo a exchange.
Binance informa US$ 3,64 bilhões em saídas líquidas
Nas cerca de nove horas e meia após a reabertura, a Binance afirma ter processado US$ 4,65 bilhões em saques e US$ 1,01 bilhão em depósitos, ou seja, US$ 3,64 bilhões em saídas líquidas, segundo os números da exchange divulgados por The Block, CNBC e Decrypt. O valor corresponde a 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos da plataforma. O The Block observa, porém, que esse total vem da prova de reservas de 28 de outubro, anterior ao ataque. Segundo a Binance, os saques dispararam no início e depois desaceleraram. O fundador, Changpeng Zhao, escreveu no X que “98% escolhem ficar”, destacando que as saídas líquidas se limitam a 2,1%.
Os dados do rastreador DefiLlama sobre as carteiras da Binance mostram saídas maiores em 24 horas: US$ 4,05 bilhões no fim da tarde de 1º de novembro segundo o The Block, US$ 5,8 bilhões segundo o Cointelegraph e mais de US$ 6 bilhões em 2 de novembro segundo o CoinDesk. Esses números podem incluir transferências internas ou movimentações para novas carteiras quentes e, portanto, não medem apenas saques de clientes.
Cobertura de 95% e prejuízo assumido pela exchange
Segundo a quarta atualização, a Binance cobre cerca de 95% do valor atingido, ante 90% na atualização anterior e 80% na que veio antes. Os 5% restantes são tokens fora dos dez maiores, menos líquidos, que a exchange continua recomprando no mercado e no balcão (OTC). A Binance afirma que os saldos em BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC estão 100% cobertos e remete ao seu retrato de prova de reservas. A exchange se compromete a arcar sozinha com o prejuízo, sem repassá-lo aos usuários, e publicará um relatório pós-incidente ao fim da investigação.
Para recompor os ativos, a Binance recorreu ao seu caixa, ao fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users) e a parte do seu fundo de seguro de contratos futuros, segundo CNBC, Cointelegraph e The Crypto Times. Perto de US$ 3 bilhões dos recursos roubados, principalmente stablecoins, foram congelados com a ajuda de emissores como Tether e Circle; a Elliptic estima esse valor em cerca de US$ 2,84 bilhões. Em alerta divulgado no sábado, 31 de outubro, e citado por Decrypt, BleepingComputer e Security Affairs, o FBI atribui o roubo à Coreia do Norte, por meio do grupo TraderTraitor, também monitorado como Lazarus e APT38, e pede que as empresas do setor cripto bloqueiem os endereços ligados ao roubo.
O que muda para os traders
Por enquanto, apenas os pares de rede e ativo da fase 1 foram anunciados como disponíveis. Nos saques de USDT ou USDC, a rede escolhida no momento do pedido seria, portanto, decisiva: uma solicitação em rede não listada poderia não ser concluída. A Binance alerta que atrasos ou prazos de processamento maiores são possíveis no início por causa do tráfego e recomenda, em caso de falha, tentar novamente um pouco mais tarde e verificar a disponibilidade na página de saque do ativo ou na sua página de status das redes.
Como os depósitos nunca foram suspensos, um ativo fora da fase 1 depositado neste momento poderia não ser sacado de imediato, já que não há data para a próxima fase. Os detentores de tokens menos líquidos, que formam os 5% ainda descobertos, teriam motivos para acompanhar as próximas atualizações da exchange e a próxima prova de reservas, cuja data de publicação não foi confirmada. Os traders de futuros também poderiam acompanhar a situação do fundo de seguro, usado em parte.
No mercado, o bitcoin era negociado entre US$ 77.700 e US$ 77.900 em 1º e 2 de novembro, após uma mínima de cerca de US$ 76.500 logo depois do ataque, segundo CoinDesk e Cointelegraph. Os ETFs de bitcoin registraram saídas de aproximadamente US$ 643 milhões nesse contexto. Com saídas dessa magnitude, o controle da alavancagem ganharia peso especial, sobretudo em altcoins menos líquidas. Para os clientes da Binance, a página de anúncios e a de status das redes continuariam sendo as referências para acompanhar o andamento das próximas fases.
Fontes
- Security Incident | Recovery Update #4: Withdrawals Resume in Phases (2026-11-01), Binance
- Binance sees $3.64 billion in net outflows after reopening withdrawals following record hack, The Block
- Binance sees $3.64 billion in net outflows as withdrawals resume after massive hack, CNBC
- Binance resumes withdrawals following $6.3 billion hack, says 90% of stolen user assets are covered, CNBC
- Binance opens crypto withdrawals in phases starting with bitcoin following $6.3 billion hack, CoinDesk
- Live updates: Binance records $6 billion outflows after starting withdrawals, less then 4% of total holdings, CoinDesk
- Bitcoin eases to $77,900 as Binance customers pull $3.6 billion after withdrawals reopen, CoinDesk
- Binance says phase one of withdrawals opens after $6.3B hack, Cointelegraph
- Binance net outflows surge to $5.8B as withdrawals resume after record hack, Cointelegraph
- THORChain founder rejects freeze request, CZ thanks Secret Service: Hodler's Digest, Cointelegraph Magazine
- FBI Blames North Korea for $6B Binance Hack as Exchange Reopens Withdrawals, Decrypt
- Binance reopens Bitcoin withdrawals after $6.3B hack, says 95% restored, crypto.news
- Binance Resumes Withdrawals After $6.3B Hack, Says 95% of Stolen Assets Now Covered, The Crypto Times
- FBI links $6.3 billion Binance crypto heist to North Korean hackers, BleepingComputer
- FBI Blames North Korea for $6 Billion Binance Crypto Theft, Security Affairs
- FBI pins $6.3 billion Binance crypto heist on North Korea while scammers circle anxious users, Help Net Security
Este artigo é publicado para fins informativos. Não constitui recomendação de investimento nem indicação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. Método de verificação e política de correções: A redação.
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