Todas as notícias Brasil

Copom mantém a Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cinco cortes

O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano em 4 de novembro de 2026 e interrompeu um ciclo de cinco cortes iniciado em março. O comunicado eleva as projeções de inflação e não indica o próximo passo, o que desloca a atenção dos traders da B3 para a abertura de 5 de novembro e para a ata de 10 de novembro.

A redação da Tradoshi, sob a direção de Benjamin Roure L'HermittePublicado em ·Atualizado em
Ilustração: fachada de banco central ao entardecer, escada de cinco degraus terminando em patamar plano, telas com curvas de juros e relógio sem números.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano em 4 de novembro de 2026, ao fim de sua 282ª reunião. O comunicado tinha divulgação prevista para as 18h30, horário de Brasília (UTC-3), ou 22h30 em Paris, e a decisão foi publicada pelo O Tempo às 18h32. Segundo Atlas Público, Gazeta Mercantil e ND Mais, a votação foi unânime. A pausa interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos e chega depois do fechamento do pregão da B3.

Fim de uma sequência de cinco cortes de 0,25 ponto

De acordo com Gazeta Mercantil, Times Brasil e Seu Dinheiro, a Selic havia permanecido em 15% desde junho de 2025 antes do início, em março de 2026, de um ciclo de reduções de 0,25 ponto percentual. A taxa passou a 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho, 14% em agosto e 13,75% em setembro. A reunião de novembro é a primeira sem corte desde então.

O trecho central do comunicado, reproduzido de forma idêntica por O Tempo, Franq e O Seringal, afirma: "O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante."

Segundo CNN Brasil, Forbes Brasil e Atlas Público, o texto descreve uma Selic "substancialmente contracionista", um aumento "significativo" das incertezas, expectativas de inflação mais altas e uma atividade em desaceleração mais acentuada, cenário que exigiria "serenidade e cautela". Trata-se da primeira reunião do comitê desde a reeleição de Lula, em um contexto de preocupação fiscal apontado por Times Brasil e SBT News. Conforme Gazeta Mercantil e O Seringal, o Copom diz acompanhar os efeitos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros, sem vincular explicitamente a decisão ao resultado eleitoral.

Projeções de inflação revisadas para cima

A projeção do Copom para o horizonte relevante, agora o segundo trimestre de 2028, subiu para 3,5% no cenário de referência, segundo Forbes Brasil e CNN Brasil. Em setembro, a estimativa era de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, a projeção do Banco Central passou de 5,2% para 5,6%, e para 2027, de 3,9% para 4,7%, de acordo com CNN Brasil e Gazeta Mercantil.

O comunicado registra ainda que as expectativas do boletim Focus para 2026 e 2027 se afastaram mais da meta de 3%, passando de 4,9% e 4,3% em setembro para 5,2% e 4,8%. O Focus de referência, com dados de 30 de outubro e publicado em 3 de novembro, apontava mediana de 5,22% para o IPCA de 2026.

Os riscos para a inflação seguem "mais elevados que o usual, com assimetria altista". Entre os fatores de alta citados estão uma desancoragem duradoura das expectativas, inclusive por efeitos de segunda ordem ligados ao petróleo e ao clima sobre a produtividade agrícola e o custo da energia, uma inflação de serviços mais resistente e uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Nenhuma indicação para a reunião de dezembro

O comitê não antecipou seus próximos passos. Segundo CNN Brasil, Seu Dinheiro e Forbes Brasil, o texto afirma que o Copom "seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada" a fim de assegurar a convergência da inflação, sem dizer se a pausa se estenderá a dezembro. O mercado chegou dividido à reunião, e nem todos os veículos trataram a manutenção como esperada.

A ata será publicada na terça-feira, 10 de novembro de 2026; pelo calendário do Banco Central, o documento sai às 8h, horário de Brasília. Ela poderá detalhar a mensagem, como a duração da pausa ou uma eventual retomada dos cortes. A última reunião do ano ocorrerá em 8 e 9 de dezembro, com decisão em 9 de dezembro, a partir das 18h30.

O que muda para os traders

Como o pregão de 4 de novembro fechou antes do anúncio, a sessão de quinta-feira, 5 de novembro, seria a primeira a incorporar a decisão nos preços do mini-índice (WIN), do mini-dólar (WDO) e dos contratos de DI futuro. Antes do Copom, o Ibovespa subiu 1,23%, a 167.563,47 pontos, segundo Money Times, Itabira Online e ADVFN, interrompendo seis quedas seguidas com o apetite por risco em Wall Street após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O dólar à vista recuou entre 0,64% e 0,65%, para perto de R$ 5,45. A reação da curva de juros à decisão só seria conhecida na abertura de 5 de novembro.

Para quem opera contratos futuros de juros, a ausência de sinalização para dezembro, somada à revisão das projeções de inflação, poderia levar a uma reavaliação das apostas em retomada dos cortes, sobretudo na parte curta da curva, como o DI de janeiro de 2027. No WDO, a menção a um câmbio "persistentemente mais depreciado" coloca a moeda entre os pontos acompanhados de perto pelo comitê.

A ata de 10 de novembro e a decisão de 9 de dezembro entram no calendário econômico dos operadores. Traders de mesas proprietárias teriam interesse em verificar se o regulamento da prop firm restringe operações em torno dessas divulgações, já que uma abertura volátil poderia pesar sobre o limite de perda diária.

Com a Selic inalterada, a remuneração de aplicações atreladas ao CDI e do caixa ou das garantias depositadas na corretora permanece na mesma base, sem novo corte. A decisão diz respeito apenas à taxa básica: margens, alavancagem, custos e tributação das operações na B3 não são alterados por ela.

Fontes

  1. Copom maintains the Selic rate at 13.75% p.a., Banco Central do Brasil
  2. Copom mantém taxa Selic em 13,75% e interrompe sequência de cortes, O Tempo
  3. BC vê inflação mais elevada em todo horizonte até 2028, CNN Brasil
  4. Análise: Copom Confirma Projeções e Divulga Comunicado Cauteloso, Forbes Brasil
  5. Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões, Seu Dinheiro
  6. Copom mantém Selic em 13,75% e eleva previsão de inflação para 2026, Gazeta Mercantil
  7. Copom mantém Selic em 13,75% ao ano por unanimidade e vê riscos de inflação com viés de alta, Atlas Público
  8. Copom suspende ciclo de quedas e mantém Selic a 13,75%; analistas avaliam futuro sob incertezas, ND Mais
  9. BC destaca aumento significativo da incerteza no mercado; leia comunicado, O Seringal
  10. Copom decide manter taxa Selic em 13,75% ao ano, Franq
  11. Comparativo dos comunicados do Copom setembro/novembro (PDF), Money Times
  12. No primeiro Copom após eleição, Selic é mantida em 13,75% ao ano e interrompe ciclo de cortes, Times Brasil
  13. Brasil segue com maior taxa de juros reais do mundo, SBT News
  14. Ibovespa acompanha onda azul de Wall Street e sobe 1%; dólar cai, Money Times
  15. Dólar fecha em queda e Bolsa sobe mais de 1%, recuperando os 167 mil pontos, Itabira Online
  16. Ibovespa sobe após vitória democrata nos EUA e interrompe sequência de seis quedas; Copom fica no radar, ADVFN Brasil
  17. Ibovespa sobe 1,15% e dólar fecha a R$ 5,45 nesta quarta-feira, Agrolink
  18. Reuniões do Copom: calendário e previsões da Taxa Selic, Grão
  19. Radar do Copom, CalcBank
  20. Banco Central divulga calendário das reuniões do Copom para 2027, InfoMoney

Todas as notícias

Este artigo é publicado para fins informativos. Não constitui recomendação de investimento nem indicação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. Método de verificação e política de correções: A redação.

Tradoshi, o diário de trader

Sincronização de contas, estatísticas e acompanhamento da disciplina. Plano gratuito, sem cartão de crédito.

Comece grátis