Plus500 fecha acordo para comprar a corretora brasileira Guru
A Plus500 Ltd anunciou em 20 de outubro de 2026 um acordo condicional para comprar a totalidade da Guru Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. Com a licença local, o grupo listado em Londres pretende oferecer no Brasil ações, futuros, opções e renda fixa, mas a operação ainda depende de aprovações regulatórias.

A Plus500 Ltd, grupo de corretagem listado na Bolsa de Londres, anunciou em 20 de outubro de 2026 um acordo condicional para adquirir 100% do capital da Guru Corretora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. A operação foi comunicada em um anúncio regulatório intitulado “Acquisition of Guru, a broker-dealer in Brazil”. Segundo FX News Group, AskTraders e Investing.com Brasil, a Guru é uma corretora registrada e autorizada pelo Banco Central do Brasil (BCB) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O valor da transação não foi divulgado. De acordo com Proactive Investors e Investing.com Brasil, a compra será financiada integralmente com o caixa já existente da Plus500, que somava mais de 860 milhões de dólares em 30 de junho de 2026. O pagamento será feito no fechamento, que depende das aprovações regulatórias habituais e de outras condições usuais desse tipo de operação. O negócio, portanto, ainda não está concluído.
Uma licença local para atuar no mercado brasileiro
Segundo a Plus500, o arcabouço regulatório da Guru permitirá ao grupo montar uma oferta local com ações brasileiras, contratos futuros, opções e títulos de renda fixa. O grupo também pretende dar aos seus clientes na América Latina acesso aos mercados de derivativos dos Estados Unidos e uma gama de produtos mais ampla, conforme relatam Markets Media e The Market Reporter.
A Plus500 apresenta o Brasil como o segundo maior mercado de derivativos do mundo. A classificação é do próprio grupo e não foi objeto de verificação independente.
“O Brasil é um dos mercados de negociação mais atraentes do mundo, e a aquisição da Guru nos dá a licença, a equipe local experiente e o arcabouço regulatório para prosperar”, declarou David Zruia, CEO da Plus500.
Segunda aquisição do grupo em cerca de uma semana
A compra da Guru é a segunda aquisição estratégica da Plus500 em aproximadamente uma semana, depois do anúncio da compra da Hedge, nos Estados Unidos. Segundo FX News Group, Proactive Investors e AskTraders, a operação se apoia na parceria B2B já existente entre a Plus500 e a empresa brasileira de tecnologia Nelogica, além da presença local do grupo na Colômbia. A Plus500 afirma que pretende continuar crescendo na América Latina, tanto por expansão orgânica quanto por novas aquisições.
A Plus500 é listada na Bolsa de Londres (LON:PLUS) e integra os índices FTSE 250 e STOXX Europe 600. Segundo os números do exercício de 2025 publicados pela Plus500 em seu site de relações com investidores, o grupo registrou receita de 792,4 milhões de dólares, EBITDA de 348,1 milhões de dólares, 242.440 clientes ativos e 104.902 novos clientes no período.
Pontos ainda em aberto
A Plus500 menciona apenas “aprovações regulatórias habituais”, sem nomear as autoridades envolvidas nem indicar um calendário. A data prevista para o fechamento não foi informada. Os anúncios também não detalham a posição da Guru sobre a operação nem o porte da corretora: número de clientes, volumes negociados, plataformas oferecidas e tarifas não foram divulgados.
Os efeitos para os atuais clientes da Guru tampouco foram comunicados. Plataforma, corretagem, margens para day trade em minicontratos de índice e de dólar e condições de conta não foram objeto de anúncio até o momento.
O que muda para os traders
No curto prazo, a operação não deveria alterar nada para quem opera pela Guru: o acordo é condicional, não tem data de fechamento divulgada e não vem acompanhado de nenhuma mudança anunciada nas condições dos clientes. Qualquer alteração passaria, em princípio, por comunicados oficiais da própria corretora.
Para os clientes da Guru, os pontos a acompanhar seriam os seguintes:
- Comunicados oficiais: eventual aviso de mudança de controle acionário, novos termos e condições, migração de plataforma, nova tabela de corretagem ou revisão das margens intraday.
- Produtos: a Plus500 cita apenas produtos locais permitidos pela licença da Guru (ações, futuros, opções e renda fixa), além de um acesso prometido aos derivativos americanos. Os anúncios não mencionam a chegada ao Brasil dos CFDs que o grupo oferece em outras jurisdições.
- Verificação de registro: antes de abrir ou transferir uma conta, a consulta aos cadastros públicos da CVM e do Banco Central seguiria sendo a referência, sobretudo se surgirem ofertas usando o nome da Plus500 no Brasil antes do fechamento da operação.
Para o mercado como um todo, a entrada de um grupo internacional listado com licença local tenderia a ampliar a concorrência no segmento de day trade em futuros da B3. A comparação de custos, plataformas e ferramentas, critérios centrais na hora de escolher uma corretora de futuros, só será possível quando a oferta for apresentada. A parceria com a Nelogica sugere que o ecossistema de plataformas locais faria parte desse movimento, mas os detalhes não foram precisados.
Do lado fiscal, o anúncio não altera nada: a tributação do day trade e a retenção na fonte seguem as regras brasileiras, independentemente de quem controla a corretora.
Fontes
- Investor Relations - Plus500 (Acquisition of Guru, a broker-dealer in Brazil, 20 Oct 2026), Plus500 Ltd
- Plus500 Buys Broker-Dealer in Brazil, Markets Media
- Plus500 to acquire Brazil-based broker-dealer Guru, FX News Group
- Plus500 agrees Brazil acquisition as Latin America expansion accelerates, Proactive Investors
- Plus500 Agrees Brazil Broker Deal With Guru, Second Acquisition in a Week, AskTraders
- Plus500 snaps up Brazilian broker-dealer Guru in latest Latin America push, The Market Reporter
- Plus500 adquire corretora brasileira Guru, Investing.com Brasil
- Plus500 acquires Brazilian broker-dealer Guru, Investing.com UK
Este artigo é publicado para fins informativos. Não constitui recomendação de investimento nem indicação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. Método de verificação e política de correções: A redação.
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